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Flávio Bolsonaro viaja aos EUA para tentar barrar tarifaço

  • Foto do escritor: Equipe Canal do Rio
    Equipe Canal do Rio
  • há 11 horas
  • 2 min de leitura

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), protocolou uma manifestação oficial junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na qual contesta a aplicação de barreiras comerciais contra o Brasil. No documento, o parlamentar argumenta que a proposta de impor uma sobretaxa de 25% sobre as exportações brasileiras geraria um efeito político inverso ao pretendido por Washington, fortalecendo a narrativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pleno ano eleitoral.

Argumentação jurídica e apelo por sanções direcionadas

Na peça de 86 páginas entregue às autoridades norte-americanas, Flávio Bolsonaro sustenta que o embate econômico impulsiona o discurso governista de defesa da soberania nacional, o que já se reflete em ganhos para o atual chefe do Executivo nas pesquisas de opinião. Segundo o senador, a aplicação de tarifas generalizadas acabaria por beneficiar politicamente o Palácio do Planalto, que utilizaria a retaliação dos EUA como palanque doméstico.

Diante desse cenário, o parlamentar solicitou a suspensão das sanções por 180 dias, estendendo o prazo para o período pós-eleitoral, com o objetivo de abrir espaço para uma mesa de negociação bilateral. Como alternativa ao tarifaço, o documento sugere que o governo de Donald Trump adote restrições individuais e cirúrgicas — tais como sanções financeiras e cancelamento de vistos de autoridades específicas —, preservando o setor produtivo e a economia do país.

Investigação comercial e eixos de contestação

A ofensiva tarifária dos Estados Unidos baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Washington conduz uma investigação sobre supostas práticas desleais e restritivas adotadas pelo Brasil em seis eixos estratégicos: comércio digital — com foco na competitividade do sistema Pix —, propriedade intelectual, tarifas preferenciais, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e fiscalização do desmatamento ilegal.

O governo brasileiro tem até o dia 15 de julho para apresentar medidas corretivas ao USTR. Caso as sanções avancem, commodities e produtos estratégicos para o abastecimento interno dos Estados Unidos, como petróleo, minérios, carnes e café, deverão ser mantidos de fora da lista de sobretaxação.

Próximos passos e articulação em Washington

A estratégia de Flávio Bolsonaro inclui uma viagem a Washington na próxima semana, onde o senador está inscrito para discursar na audiência pública oficial do USTR. Paralelamente às ações do parlamentar, o governo federal mantém um grupo de trabalho interministerial e diplomático dedicado às negociações bilaterais, mantendo a postura de contestar formalmente o caráter discriminatório das alegações norte-americanas.

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