GOVERNO RECUA: NOMEAÇÃO URGENTE TENTA REPARAR DEMISSÃO DE MÃE DE AUTISTA NO RIO
- Equipe Canal do Rio

- 6 de mai.
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Gestão Ricardo Couto exonera servidora mãe de criança com autismo severo; governo cita ajuste administrativo
Após repercussão negativa, Casa Civil informa que servidora será renomeada e realocada em posto de Brasília para garantir continuidade de tratamento de saúde do filho.
A gestão interina do desembargador Ricardo Couto de Castro no Governo do Rio de Janeiro exonerou, nesta semana, uma servidora pública descrita por pares como exemplar e que possui um filho com diagnóstico de autismo severo . A medida, inicialmente realizada sem justificativas detalhadas, ocorreu em meio a uma ampla reestruturação administrativa que já contabiliza mais de 170 dispensas desde a renúncia de Cláudio Castro.
A servidora em questão desempenhava suas funções na Representação do Estado em Brasília, localidade estratégica para assegurar o suporte médico necessário ao tratamento de seu filho. A interrupção súbita do vínculo funcional gerou críticas imediatas, levantando questionamentos sobre a sensibilidade social da nova administração em casos de vulnerabilidade familiar.
Posicionamento oficial e realocação
Em resposta aos questionamentos, a Secretaria de Estado da Casa Civil emitiu nota oficial nesta quarta-feira (6) classificando o episódio como um "ajuste administrativo". Segundo a pasta, não haverá o desligamento definitivo da profissional. O governo esclareceu que ela será oficialmente realocada na estrutura da Representação do Estado em Brasília. Para evitar prejuízos financeiros ou funcionais, a nomeação terá efeito retroativo a 1º de maio de 2026.
A exoneração de uma servidora da Representação do Rio de Janeiro em Brasília, mãe de uma criança com autismo severo e paralisia cerebral, acende um alerta que ultrapassa as fronteiras da política fluminense. Embora o governo interino de Ricardo Couto tenha recuado e classificado o ato como um "ajuste administrativo", o caso expõe a fragilidade institucional e a falta de sensibilidade no trato com servidores que exercem a chamada "parentalidade atípica".
O serviço público, por sua natureza, deveria ser o primeiro baluarte na defesa de direitos fundamentais. A legislação brasileira, amparada pela Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, já prevê mecanismos como a jornada reduzida e a preservação da lotação em locais que garantam o tratamento de dependentes. No entanto, o que se observa na prática é uma vulnerabilidade alarmante diante de reestruturações políticas.
Uma demissão — ou mesmo uma "movimentação técnica" — que ignora a dependência vital de uma criança por um tratamento específico não é apenas um erro administrativo; é um atentado à dignidade da pessoa humana. O Estado não pode usar o pretexto da "eficiência da máquina" para desmantelar redes de apoio que sustentam a vida de seus cidadãos mais vulneráveis.
A proteção aos pais atípicos no funcionalismo não deve ser uma concessão benevolente de quem ocupa o poder, mas uma política de Estado perene e blindada contra o jogo de cadeiras da política partidária. O recuo da gestão fluminense foi necessário, mas o episódio deixa uma lição amarga: enquanto o serviço público for visto apenas como um organograma de cargos, e não como uma estrutura composta por vidas, erros "técnicos" continuarão a causar danos humanos irreparáveis.
fontes : Cláudio Magnavita / Jornal Correio da Manhã





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