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  • Foto do escritor: Equipe Canal do Rio
    Equipe Canal do Rio
  • 22 de mai.
  • 3 min de leitura

Justiça mantém prisão preventiva de Deolane Bezerra por suspeita de lavagem de dinheiro para facção

A Justiça de São Paulo manteve a prisão preventiva da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, após audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (21). Alvo da Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público estadual (MP-SP), Deolane foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista. A investigação aponta a influenciadora como operadora financeira de um esquema de lavagem de dinheiro ligado à cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Bilhetes em presídio deram início à investigação

O caso começou a ser desenhado em 2019, quando agentes penitenciários interceptaram bilhetes manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau (SP). As mensagens continham ordens de lideranças da facção e mencionavam uma "mulher da transportadora" responsável por mapear endereços de agentes públicos. Embora o nome de Deolane não constasse explicitamente nos papéis, a pista levou a polícia a identificar a Lopes Lemos Transportes, empresa de fachada controlada pela família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

A partir do rastreamento da transportadora, os investigadores identificaram transações financeiras atípicas que ligavam a organização criminosa às contas da advogada. Segundo o MP-SP, Deolane atuava como "caixa" do grupo, utilizando sua projeção pública e suas empresas para dar aparência lícita a recursos oriundos de atividades criminosas.

Movimentações suspeitas e técnica de smurfing

Os relatórios de inteligência financeira indicam que, entre 2018 e 2021, Deolane recebeu mais de R$( 1 milhão por meio de depósitos fracionados inferiores a R\) 10 mil. A prática, conhecida como smurfing, é utilizada para burlar os alertas automáticos de órgãos de controle, como o Coaf. Além disso, a polícia localizou cerca de 50 depósitos suspeitos direcionados às empresas da influenciadora, totalizando R$ 716 mil, sem que houvesse prestação de serviços jurídicos que justificassem os valores.

Ao todo, a Justiça determinou o bloqueio de R\( 357,5 milhões em bens dos investigados na operação, dos quais R\) 27 milhões pertencem diretamente às contas de Deolane. A ação também resultou na apreensão de 17 veículos de luxo e quatro imóveis.

Desdobramentos internacionais e defesa

A operação também expediu novos mandados de prisão contra Marcola e seu irmão Alejandro, que já cumprem pena em presídios federais. O operador financeiro Everton de Souza, conhecido como "Player", foi detido. A investigação atinge ainda os sobrinhos do líder da facção: Paloma Sanches e Leonardo Alexsander, que estão foragidos na Espanha e na Bolívia, respectivamente. Deolane, que teve seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol durante viagem a Roma, na Itália, foi presa logo após desembarcar no Brasil.

Em nota, a defesa de Deolane Bezerra informou que está se inteirando dos fatos contidos nos autos do processo. Por meio das redes sociais, a irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, declarou que a família é alvo de perseguição por parte das autoridades.

Apoio Político na Campanha de 2022

Durante o período eleitoral de 2022, Deolane declarou publicamente apoio à candidatura de Lula. Ela participou de agendas de campanha e fez o gesto do "L" com os dedos ao lado do então candidato. Em abril de 2022, os dois se encontraram pessoalmente, ocasião em que gravaram um vídeo bem-humorado no qual ela dizia "venci na vida" e Lula utilizava um de seus jargões de internet: "Esquece, o pai tá estourado"

Declarações de Arrependimento

Posteriormente à eleição, Deolane manifestou publicamente críticas ao governo e declarou arrependimento por ter votado no atual presidente. Em publicações nas suas redes sociais, ela criticou o sistema político e mencionou investigações sobre fraudes em órgãos públicos para externar seu descontentamento com a gestão atual.

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