Rumores que Del. Ramagem participou hoje de reuniões Washington para informações
- Equipe Canal do Rio

- 9 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 11 de mar.

Autoridades dos Estados Unidos indicaram nos últimos dias que o governo do presidente Donald Trump pode anunciar em breve a inclusão das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras.
A eventual classificação representaria uma mudança significativa na abordagem de Washington ao crime organizado na América Latina e poderia abrir caminho para medidas mais duras, incluindo sanções financeiras, cooperação ampliada de inteligência e até operações extraterritoriais.
Declarações sobre possível intervenção
A escalada retórica ganhou força após declarações do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, feitas em 5 de março de 2026. Segundo ele, Washington poderia realizar operações militares unilaterais na América Latina — inclusive no Brasil — caso considere que organizações criminosas classificadas como terroristas representem ameaça direta aos interesses americanos.
No mesmo evento, realizado em Miami, o comandante Francis L. Donovan defendeu o uso de força militar para “esmagar cartéis” e combater o que chamou de narcoterrorismo no Hemisfério Ocidental. O encontro reuniu representantes de cerca de 20 países da região, mas o Brasil não foi convidado.
A retórica reflete a nova diretriz estratégica da Casa Branca para o combate ao crime organizado transnacional. “Não hesitarei em agir para proteger nossos interesses”, afirmou Trump em declarações recentes, reforçando a postura mais agressiva do governo norte-americano.
Reação do governo brasileiro
A possibilidade de classificação das facções brasileiras como organizações terroristas provocou reação imediata do Itamaraty, que classificou as declarações como uma “ameaça inaceitável à soberania nacional”.

Na noite de 8 de março, o chanceler brasileiro Mauro Vieira conversou por telefone com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em tentativa de reduzir a tensão diplomática e evitar que as declarações evoluam para medidas concretas.
Ramagem e o contexto político
O tema também surge em meio ao caso envolvendo o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem, que atualmente está nos Estados Unidos.
Ramagem prestou depoimento por videoconferência ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em audiência que durou cerca de 50 minutos. Ele é investigado por acusações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo deterioração de patrimônio público tombado e dano qualificado.
Nos bastidores de Washington, circulam rumores de que informações fornecidas por interlocutores ligados ao ex-deputado poderiam estar sendo utilizadas como argumento político por setores do governo americano para sustentar a narrativa de combate ao chamado “narcoterrorismo” no Brasil.
Cenário diplomático sensível
Especialistas avaliam que a eventual designação das facções brasileiras como organizações terroristas criaria um precedente diplomático delicado. Isso porque a legislação norte-americana permite medidas extraterritoriais contra grupos incluídos nessa lista, o que poderia gerar atritos diretos com o governo brasileiro.
Por enquanto, as negociações diplomáticas seguem em andamento para evitar que a escalada retórica se transforme em uma crise formal entre Brasília e Washington.





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