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A curiosa e polemica origem dos principais mascotes dos clubes

  • 16 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 24 de dez. de 2025



No futebol brasileiro, os mascotes dos clubes raramente surgem a partir de decisões institucionais planejadas desde a fundação. Em muitos casos, eles têm origem na dinâmica espontânea das arquibancadas, especialmente na relação de rivalidade entre torcidas. É comum que apelidos atribuídos por adversários, inicialmente com intenção provocativa ou depreciativa, acabem se consolidando ao longo do tempo e, em alguns casos, sejam incorporados pelos próprios clubes ou torcidas.


Esse processo ocorre porque o futebol no Brasil se desenvolveu como fenômeno popular antes de se estruturar como produto formal. Assim, símbolos, apelidos e mascotes foram moldados por narrativas jornalísticas, cantos de torcida, episódios específicos de jogos e características regionais. Alguns clubes optaram por oficializar esses símbolos; outros mantiveram mascotes paralelos ou históricos. O resultado é um cenário em que cada mascote carrega uma origem distinta, ligada a contexto social, geográfico ou cultural.


A origem dos mascotes dos principais clubes brasileiros revela um padrão recorrente: muitos símbolos surgiram fora das estruturas oficiais, a partir da rivalidade entre torcidas, da imprensa esportiva e de episódios marcantes do cotidiano do futebol. Com o tempo, esses elementos foram incorporados, adaptados ou oficializados, tornando-se parte permanente da identidade dos clubes e de suas torcidas.


O mascote do Corinthians: o Mosqueteiro e o Gambá

O mascote oficial do Sport Club Corinthians Paulista é o Mosqueteiro. Sua origem remonta a 1929, quando o clube obteve bons resultados em partidas internacionais. Na ocasião, jornalistas esportivos compararam a postura competitiva do time à bravura dos personagens do romance Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas. O Corinthians passou a ser associado à figura de D’Artagnan, o quarto mosqueteiro, e o personagem foi adotado oficialmente como mascote, representando o espírito de luta do clube.


Paralelamente ao mascote oficial, existe o apelido gambá, atribuído por torcidas rivais. Esse apelido não foi institucionalizado pelo clube, mas acabou sendo absorvido por parte da torcida em manifestações informais, produtos e representações alternativas, coexistindo com o Mosqueteiro na cultura popular corintiana.


O Palmeiras: do Periquito ao Porco

A Sociedade Esportiva Palmeiras possui dois mascotes historicamente associados ao clube. O mais antigo é o Periquito, escolhido por sua ligação com a cor verde, predominante no uniforme do time, e pela presença comum da ave na região onde o clube foi fundado. O Periquito foi, por muito tempo, o principal símbolo animal do Palmeiras.


Já o Porco surgiu como apelido atribuído por torcidas rivais na década de 1960. Com o passar dos anos, o termo passou a ser utilizado pela própria torcida palmeirense e foi gradualmente incorporado à identidade do clube. Em 2016, o Palmeiras oficializou o personagem conhecido como Porco Gobbato como mascote moderno, que passou a coexistir com o Periquito no imaginário do clube.


O Santos Futebol Clube e o Peixe

O Santos Futebol Clube é tradicionalmente associado ao Peixe, apelido ligado à localização litorânea da cidade de Santos. A associação começou ainda nas primeiras décadas do clube e foi usada inicialmente por adversários como forma de identificação regional. Com o tempo, o Peixe foi incorporado de maneira definitiva à identidade santista.


Como mascote visual, o clube passou a utilizar uma orca, animal marinho escolhido para representar força e domínio no ambiente aquático, ainda que biologicamente não seja um peixe. A orca tornou-se a representação simbólica mais comum em materiais institucionais e ações do clube.


O Flamengo, o clube do Urubu

No Clube de Regatas do Flamengo, o mascote Urubu tem origem em um episódio curioso ocorrido em 1969. Naquele período, o termo era utilizado por torcidas rivais como apelido pejorativo. Não se deixando abalar, em um clássico no Maracanã, torcedores rubro-negros esconderam um urubu e foram ao estádio, colocaram as cores do clube e o soltaram no gramado antes da partida.


A partir desse evento, o urubu passou a ser associado de forma recorrente ao Flamengo e à sua torcida, consolidando-se como mascote ao longo dos anos e substituindo representações anteriores, como o personagem Popeye, que havia sido utilizado em décadas anteriores.



 
 
 

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