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A Doutrina do Lítio: Como o Eixo Trump-Musk-Milei está redesenhando o Mapa do Poder em 2026

  • Foto do escritor: Equipe Canal do Rio
    Equipe Canal do Rio
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

O tabuleiro geopolítico da América Latina sofreu um abalo sísmico nesta semana. O que começou como uma promessa de campanha de Donald Trump e uma ambição tecnológica de Elon Musk materializou-se em Washington na última quarta-feira (4 de fevereiro): a Argentina de Javier Milei assinou formalmente o seu ingresso na Reserva Estratégica de Minerais Críticos dos EUA. O acordo, no entanto, é apenas a face visível de uma engrenagem muito mais profunda que envolve satélites, inteligência artificial e a sucessão presidencial brasileira.


A "Triangulação de Ouro": Energia, Espaço e Política

O anúncio de que a SpaceX adquiriu a xAI, criando um conglomerado de US$ 1,25 trilhão, não foi coincidência. Elon Musk, agora o braço tecnológico da administração Trump, revelou planos para lançar até 1 milhão de data centers orbitais. O objetivo? Fugir da crise energética global e da dependência de infraestruturas terrestres vulneráveis.


Para que essa constelação funcione, a demanda por baterias de alta densidade atingiu níveis sem precedentes. É aqui que entra o acordo com a Argentina. Ao garantir o fluxo prioritário do lítio argentino para os EUA, Trump não apenas asfixia a cadeia de suprimentos da China, mas fornece a Musk a "matéria-prima da soberania" para sua nova rede de IA espacial.


O "Efeito Maduro" e a Resignação de Pequim

A agressividade de Trump na região — exemplificada pela queda de Maduro em janeiro e pelo cerco econômico ao Irã — parece ter surtido o efeito de dissuasão esperado. Analistas em Washington apontam que a China, enfrentando expurgos internos em seu alto comando militar e o colapso de suas alianças tradicionais na América do Sul, entrou em um modo de "resignação estratégica".


Pequim assiste enquanto o "Eixo da Liberdade" (como Milei denomina sua aliança com Trump) isola o acesso chinês aos recursos minerais do Cone Sul. A mensagem de Trump é clara: a América Latina não é mais um campo de disputa, mas uma "zona de exclusividade" americana.


O Dilema Brasileiro: A Faria Lima e o Fator Flávio

No Brasil, o impacto foi imediato e divisivo. O governo Lula tenta equilibrar-se em uma "neutralidade ativa", mas o espaço narrativo está encolhendo. Trump já enviou emissários ao Palácio do Planalto com uma proposta similar à argentina: acesso total às terras raras e ao nióbio brasileiro em troca da suspensão de tarifas sobre o aço e o agronegócio.


Para a elite comercial brasileira — historicamente avessa ao risco e sedenta por segurança — a pressão é sufocante. A percepção de que o Centro político, liderado pelo PSD de Gilberto Kassab, não possui musculatura para enfrentar este novo mundo binário está empurrando o mercado para uma aceitação pragmática da "saída Bolsonaro".


A indicação de Flávio Bolsonaro para a presidência, embora tenha causado pânico inicial nos índices da B3 em dezembro de 2025, começa a ser vista pela Faria Lima como o único "seguro" contra sanções de Trump. Em conversas reservadas, grandes investidores admitem: se a Argentina está crescendo 30% ao ano impulsionada pelo capital de Musk, o Brasil não pode se dar ao luxo de ser o "último bastião do BRICS" em um continente que mudou de lado.


O Fim da Ambiguidade

O mundo de fevereiro de 2026 não tolera mais o "em cima do muro". A fusão entre o poder militar de Trump, a infraestrutura orbital de Musk e as reservas minerais de Milei criou um polo de gravidade que está sugando a política interna brasileira.


Lula ainda lidera as pesquisas, mas governa sob a sombra de um cerco tecnológico e mineral. A pergunta que ecoa nos corredores do poder em Brasília não é mais sobre ideologia, mas sobre sobrevivência: o Brasil terá coragem de dizer "não" ao dono dos satélites e ao dono da reserva estratégica mundial?

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