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A necessidade por duas vagas no Supremo e a política por trás de uma saída de Dias Toffoli

  • Foto do escritor: Equipe Canal do Rio
    Equipe Canal do Rio
  • 14 de fev.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 16 de fev.

Brasília — fevereiro de 2026


A sucessão de ministros no Supremo Tribunal Federal (STF) transformou-se em um dos principais campos de disputa política entre o Palácio do Planalto e o Senado Federal, com implicações diretas para o equilíbrio de poder entre os Três Poderes da República.


No centro da atual controvérsia está a indicação do advogado geral da União, Jorge Messias, para uma das vagas abertas no STF. Messias, que chefia a AGU (Advocacia Geral da União), ganhou notoriedade política nos bastidores ao longo dos anos — inclusive por ter sido chamado de “Bessias” em um diálogo entre a então presidente Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva em 2016, episódio que foi alvo de interceptação pela Polícia Federal. Na conversa, Dilma diz que enviaria o “Bessias” com um documento essencial para a posse de Lula, o que tornou Messias uma figura conhecida na política nacional.


Quem é o “Bessias”?


Messias é membro de carreira da Advocacia Geral da União desde 2007 e foi subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência durante o governo Dilma. Sua indicação ao STF, oficializada em novembro de 2025 para preencher a vaga deixada pela aposentadoria de Barroso, representa uma das decisões de maior peso do presidente Lula neste início de mandato.


A escolha gerou debate público e político: aliados do governo defendem Messias por sua proximidade institucional e experiência jurídica, enquanto críticos argumentam que sua trajetória como chefe da AGU e sua ligação com o PT podem comprometer a percepção de imparcialidade de um futuro ministro.


A disputa com o Senado e o nome de Rodrigo Pacheco


Apesar de a indicação presidencial ser prerrogativa do chefe do Executivo, sua aprovação depende da sabatina e do voto em plenário no Senado. Nesse contexto, parcelas relevantes do Legislativo passaram a reagir à escolha de Lula. Nos bastidores, alguns senadores deflagram articulações que vão além de uma simples análise técnica do indicado.


Parlamentares têm discutido a possibilidade de criar um cenário que ligue o destino de Dias Toffoli no STF à indicação de Rodrigo Pacheco — ex-presidente do Senado — para uma cadeira na Corte. Segundo apurações, há negociações entre senadores para votar um eventual impeachment de Toffoli no Senado e, em contrapartida, viabilizar a nomeação de Pacheco ao STF com apoio do Planalto.


Esse movimento político indicaria uma “moeda de troca” informal no centro do embate: apoio político em uma ação no Senado (o processo de impeachment) em troca de apoio à indicação de um nome que agrada às cúpulas legislativas. A articulação seria, para alguns parlamentares, uma forma de reduzir resistências ao Supremo e, ao mesmo tempo, garantir maior proximidade institucional entre Legislativo e Judiciário.


Os riscos e o jogo de influência


Para o governo Lula, o cenário traz ganhos e desafios. Garantir que Jorge Messias seja aprovado no Senado consolidaria uma indicação presidencial de peso e ampliaria a influência do Executivo sobre a composição do STF — um fator estratégico em temas como regulação, direitos civis e controle institucional. Ao mesmo tempo, a ofensiva por Rodrigo Pacheco enfraquece parte da estratégia de Lula de imprimir sua preferência na Corte, ao aproveitar uma possível abertura de vaga caso Toffoli seja afastado.


No caso de Toffoli, criticado por forças políticas por causa de seu envolvimento em controvérsias recentes, a articulação de impeachment — embora complexa e difícil de prosperar — representa uma arma política que pode voltar o foco do debate judicial para o político. Isso altera o cálculo institucional sobre como ministros do Supremo são avaliados fora das salas de julgamento.


STF em meio à política


A disputa em torno da indicação ao STF sintetiza um momento de intensa interação entre Executivo, Legislativo e Judiciário no Brasil. A escolha de “Bessias” — um nome com ligação histórica ao PT e ao atual governo — e a contraproposta de um senador influente como Rodrigo Pacheco ilustram como o processo de formação de uma das mais altas cortes do país se tornou também campo de disputa política aberta.


Essa dinâmica reforça a importância de instituições sólidas e de um diálogo transparente entre poderes — mas também levanta questões sobre até que ponto negociações políticas influenciam decisões que deveriam, em essência, preservar independência e imparcialidade judicial.

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