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O Brasil do “toma lá, dá cá”: favores entre Executivo e Legislativo

  • Foto do escritor: Equipe Canal do Rio
    Equipe Canal do Rio
  • 23 de fev.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 23 de fev.



O cenário político em Brasília atravessa um momento descrito por interlocutores como um “xadrez de alta voltagem”. Em articulações de bastidores, a cúpula do Congresso Nacional sinalizou a possibilidade de votar medidas que poderiam resultar na redução de pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, condicionando o avanço da pauta ao esvaziamento da CPI do Banco Master.


Lideranças do Legislativo indicam que a disposição para derrubar vetos presidenciais ou aprovar projetos que revisam a dosimetria de crimes contra o Estado Democrático de Direito — o que poderia beneficiar Bolsonaro diretamente — dependeria de um “cessar-fogo” em relação às investigações sobre o Banco Master.


A lógica, segundo parlamentares, é pragmática. O avanço das apurações envolvendo a instituição financeira provoca desconforto não apenas no governo, mas também em setores do Judiciário e do próprio Legislativo. Ao esfriar a CPI, congressistas ampliariam a margem de manobra para pautar temas de interesse da oposição, como anistia parcial ou redução de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro.


Nos bastidores, a movimentação é tratada como uma “moeda de troca”: a oposição reduziria a pressão pela instalação ou fortalecimento da CPI em troca de uma saída jurídica menos severa para Bolsonaro nos processos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).


A investigação sobre o banco é vista por parte do meio político como uma “caixa de Pandora”, com potencial para expor relações financeiras sensíveis envolvendo figuras influentes em Brasília.


O movimento ocorre em um momento em que o Congresso busca retomar protagonismo frente ao Supremo, utilizando pautas como a anistia e a revisão de penas como instrumentos de negociação política.


A estratégia dependerá da capacidade das lideranças partidárias de conter alas mais ideológicas de ambos os lados, garantindo que o acordo informal de “paz armada” se sustente até o fim do semestre legislativo.


A principal proposta legislativa mencionada nas discussões é o chamado PL da Dosimetria (Projeto de Lei nº 3.550/2024), que altera critérios de cálculo das penas aplicadas a crimes contra o Estado Democrático de Direito.e cálculo para crimes contra o Estado Democrático de Direito.

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