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Fumaça tóxica e risco invisível: por que brigadistas morrem em incêndios

  • Foto do escritor: Canal do Rio Vinicius
    Canal do Rio Vinicius
  • 4 de jan
  • 2 min de leitura

Imagem: Reprodução/Redes sociais
Imagem: Reprodução/Redes sociais

A morte de uma brigadista durante o incêndio ocorrido no Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro, levanta uma pergunta recorrente do público: como alguém treinado pode morrer em um ambiente considerado de fácil evacuação, enquanto milhares de pessoas conseguem sair em segurança? Especialistas em segurança contra incêndios explicam que a resposta está menos na estrutura visível do prédio e mais na dinâmica interna do fogo e da fumaça.


De acordo com o Corpo de Bombeiros, incêndios em ambientes fechados raramente matam pelas chamas. A principal causa de mortes é a inalação de fumaça tóxica, especialmente gases como o monóxido de carbono, que é invisível, não tem cheiro e pode provocar perda de consciência em poucos minutos. Em muitos casos, a pessoa não percebe o risco de forma clara antes de desmaiar.


No caso de brigadistas, o risco é maior porque sua função é oposta à do público em geral. Enquanto clientes e funcionários são orientados a evacuar imediatamente, a brigada interna atua nos primeiros minutos da ocorrência para tentar conter o fogo, orientar a saída das pessoas e verificar se há alguém preso em áreas como banheiros, depósitos ou salas técnicas. Isso faz com que esses profissionais permaneçam justamente nas zonas mais perigosas do prédio.


Informações preliminares divulgadas pelos bombeiros indicam que o incêndio no Shopping Tijuca teve início em uma área de subsolo, local conhecido por apresentar ventilação limitada e rápida concentração de fumaça. Mesmo em edificações modernas e amplas, o subsolo costuma ser o ponto mais crítico em incêndios, pois a fumaça se acumula com facilidade e reduz drasticamente a visibilidade e o oxigênio disponível.


Outro fator apontado por especialistas é a limitação de equipamentos. Brigadas internas de shoppings não atuam com os mesmos recursos do Corpo de Bombeiros. Em geral, não utilizam aparelhos autônomos de respiração, que permitem respirar ar limpo em ambientes tomados por fumaça. Esses equipamentos são pensados para uma atuação inicial, quando o incêndio ainda parece controlável. Se o fogo evolui rapidamente, o risco aumenta de forma abrupta.


Peritos explicam ainda que o efeito dos gases tóxicos pode ser silencioso. Diferentemente de uma sensação imediata de sufocamento, a exposição ao monóxido de carbono pode causar confusão mental e perda de consciência sem um alerta evidente, inclusive em pessoas treinadas. Nesses casos, o desmaio pode ocorrer antes que a vítima consiga recuar.


O fato de o público ter conseguido evacuar o shopping não significa que o ambiente fosse seguro para quem permaneceu no local cumprindo protocolos de emergência. Brigadistas e supervisores costumam ser os últimos a sair, justamente para garantir que todos já tenham deixado a área de risco.


Agora, a investigação conduzida pela perícia e pelo Corpo de Bombeiros deve analisar pontos como o tempo de exposição à fumaça, a concentração de gases, o funcionamento dos sistemas de alarme e ventilação e se os procedimentos adotados nos primeiros minutos foram adequados. Esses elementos serão fundamentais para esclarecer as circunstâncias da morte e avaliar se houve falhas operacionais ou estruturais.


Casos como o do Shopping Tijuca reforçam um dado conhecido entre especialistas: em incêndios, o perigo nem sempre é visível, e mesmo profissionais treinados podem ser surpreendidos pela rapidez com que a fumaça e os gases tóxicos tornam um ambiente letal.

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