Lulinha atuou como consultor de grupo que compraria o Master pouco antes da prisão de Vorcaro
- Equipe Canal do Rio

- 25 de mar.
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A atuação do filho do presidente Lula, Luís Cláudio Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, junto ao grupo empresarial Fictor passou a gerar questionamentos e repercussão no cenário político após novas informações sobre sua participação como consultor e interlocutor em decisões estratégicas.
Lulinha teria atuado como assessor informal do grupo, participando de articulações. A operação, realizada nesta quarta-feira (25), cumpre 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva em três estados, com o objetivo de desarticular um esquema de fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, além de crimes de estelionato e lavagem de dinheiro.
Entre os alvos estão o CEO do Grupo Fictor, Rafael Góis, e o ex-sócio da empresa Luiz Phillippe Gomes Rubini. Ambos mantinham relação próxima com Lulinha, que, segundo reportagens, chegou a acompanhar Rubini em uma viagem à China durante uma visita de Estado do presidente Lula ao país asiático.
Relação com o grupo Fictor e atuação de Lulinha
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, Lulinha teria atuado como consultor do Grupo Fictor, participando de articulações e funcionando como ponte entre o setor privado e o governo. Ele nega qualquer vínculo formal com a empresa.
A aproximação entre Lulinha e o grupo também teria resultado na indicação de Rubini para o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o chamado “Conselhão”, órgão consultivo da Presidência da República. A Secretaria de Relações Institucionais, no entanto, afirma que não houve indicação por parte do empresário.
Além disso, o CEO da Fictor, Rafael Góis, é descrito como amigo pessoal de Lulinha, o que ampliou o escrutínio sobre as relações entre o grupo empresarial e o ambiente político.
Esquema envolvia bancos e facção criminosa
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais para ocultar a origem de recursos ilícitos. As investigações apontam que funcionários de instituições financeiras, incluindo a Caixa Econômica Federal, inseriam dados falsos em sistemas internos para permitir saques e transferências indevidas.
Os valores obtidos eram posteriormente convertidos em bens de luxo e criptomoedas, dificultando o rastreamento. A PF também identificou conexões entre integrantes do grupo e o Comando Vermelho (CV), incluindo contatos com um operador apontado como responsável pela lavagem de dinheiro de um braço da facção no interior de São Paulo.
O volume das fraudes investigadas pode ultrapassar R$ 500 milhões, segundo estimativas iniciais.
Ligação com crise do Banco Master
O Grupo Fictor também esteve envolvido em movimentações relacionadas ao Banco Master, ao tentar adquirir a instituição de Daniel Vorcaro pouco antes da intervenção do Banco Central, em novembro. A operação foi interpretada como uma tentativa de reorganização de ativos em meio à crise que culminou na prisão do empresário.
Além disso, a empresa entrou em recuperação judicial com dívidas superiores a R$ 4,2 bilhões, o que reforçou a atenção sobre suas operações e conexões.
Desdobramentos e possíveis crimes
As investigações tiveram início em 2024, a partir da identificação de um esquema estruturado voltado à obtenção de vantagens ilícitas por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional — com penas que podem ultrapassar 50 anos de prisão.
Até o momento, 13 mandados de prisão preventiva já foram cumpridos. Também foram determinadas medidas como bloqueio de bens e quebra de sigilos bancário e fiscal dos envolvidos.
Repercussão política
O caso expõe ainda mais as conexões do governo petista com o Banco Master de Daniel Vorcaro e tem sido explorado por setores da oposição, que cobram explicações sobre o papel desempenhado por Lulinha e possíveis influências em decisões públicas de Lula.
O episódio reacende o debate sobre os limites entre atividade empresarial e as relações políticas do governo do Partido dos Trabalhadores, especialmente quando envolve familiares do presidente Lula e empresas sob investigação





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