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Centro do Rio: mais do que um frame de mudança

  • 21 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 16 de dez. de 2025

Foto: Canal do Rio
Foto: Canal do Rio

Durante décadas, o Centro do Rio de Janeiro foi sinônimo de movimento intenso. Nos anos 1980 e 1990, a região concentrava escritórios, comércio e serviços, atraindo diariamente centenas de milhares de pessoas. O trânsito era caótico: o Elevado da Perimetral, inaugurado nos anos 1960, funcionava como artéria vital para quem cruzava a cidade, mas também como símbolo da saturação urbana. Engarrafamentos eram rotina, e a paisagem cinzenta refletia uma lógica voltada para automóveis e grandes corporações.

Locomover-se pelo Centro, naquela época, era um desafio diário. As ruas estreitas, somadas à alta ocupação, tornavam o tráfego quase intransitável nos horários de pico. Estacionar era uma missão quase impossível: vagas escassas e preços elevados empurravam motoristas para longas voltas ou estacionamentos privados lotados. Para muitos cariocas, atravessar a Avenida Rio Branco ou chegar à Praça XV significava enfrentar buzinas, calor e uma disputa constante por espaço.

Hoje, a cena é outra. O antes caótico e hoje bucólico Centro do Rio vive um esvaziamento progressivo, acelerado pela pandemia e pela migração de empresas para bairros como Barra da Tijuca e para o home office. Dados recentes indicam que a taxa de vacância comercial na região ultrapassa 40%, e o fluxo diário de pessoas caiu drasticamente. A sensação é de um espaço que perdeu vitalidade, com ruas mais silenciosas e imóveis fechados, contrastando com o passado vibrante.


A promessa de revitalização e os desafios


Lançado em 2009, o projeto Porto Maravilha surgiu como resposta à decadência da Zona Portuária e como tentativa de criar uma nova centralidade urbana. A demolição do Elevado da Perimetral, em 2013, marcou o início de uma transformação radical: surgiram o Museu do Amanhã, o MAR, a Orla Conde e o VLT, além de 70 km de vias reurbanizadas e 17 km de ciclovias. A ideia era integrar o porto ao Centro, atrair moradores e empresas, e reduzir a dependência do automóvel.

No entanto, os resultados foram ambíguos. Apesar dos investimentos bilionários e da criação de espaços culturais icônicos, o adensamento populacional ficou aquém do esperado. Projeções iniciais falavam em 100 mil habitantes na região em dez anos, mas a crise econômica e a alta dos preços da terra limitaram esse avanço. A gentrificação e a especulação imobiliária expulsaram moradores tradicionais, enquanto os novos empreendimentos residenciais, voltados para classes médias e altas, ainda não conseguiram ocupar plenamente a área.


A retirada da Perimetral e a implantação do VLT mudaram a lógica de circulação. O antigo gargalo viário deu lugar a um boulevard à beira da Baía de Guanabara, privilegiando pedestres e ciclistas. Para quem lembra dos congestionamentos históricos, a mudança é quase simbólica: menos carros, mais espaços públicos. Mas essa transição também contribuiu para a percepção de “vazio”, já que a redução do tráfego coincidiu com a queda da atividade econômica no Centro.


O Porto Maravilha gerou empregos na construção civil e atraiu investimentos, mas não conseguiu reverter o esvaziamento comercial do Centro. A financeirização do espaço urbano, baseada na venda de Cepacs (títulos de potencial construtivo), enfrentou a crise nacional e não atingiu as metas previstas. Além disso, a falta de políticas habitacionais efetivas e a remoção de comunidades tradicionais reforçaram desigualdades e criaram tensões sociais.


Recuperação do Centro Carioca


Para enfrentar o declínio, a Prefeitura lançou o projeto Reviver Centro, que permite transformar prédios comerciais em residenciais e incentiva a moradia na região. A meta é devolver vida ao coração da cidade, aproveitando a infraestrutura já existente e evitando que o Centro se torne um “bairro fantasma”.


O programa Reviver Patrimônio Pró-APAC, criado pela Prefeitura do Rio, tem como objetivo restaurar imóveis degradados ou em risco de desabamento no Centro da cidade, preservando o patrimônio histórico e garantindo segurança urbana.


A iniciativa prevê a desapropriação de 16 imóveis localizados na Rua do Teatro, Largo São Francisco de Paula e Rua Sete de Setembro. Esses imóveis serão oferecidos em leilão público, com valores de avaliação que variam entre R$ 103 mil e R$ 1,229 milhão.


Para incentivar a participação privada, o município oferece um subsídio de R$ 3.212 por metro quadrado, pago de forma escalonada conforme o avanço das obras. Estima-se que a primeira fase do programa envolva cerca de R$ 8,67 milhões em recursos públicos. Caso as etapas não sejam cumpridas, os imóveis retornam ao domínio público.


O modelo busca evitar tragédias como desabamentos recentes e promover ocupação diversificada, com usos residenciais, comerciais e culturais. Além disso, reforça a função social da propriedade e a valorização do patrimônio carioca, alinhando-se ao Plano Diretor.

A expectativa é dinamizar a economia local e transformar imóveis históricos em ativos urbanos, preservando a memória da cidade enquanto impulsiona desenvolvimento sustentável.



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