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Argentina concretiza acordo comercial com EUA

  • 18 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

Imagem: Reuters
Imagem: Reuters


O anúncio do acordo comercial entre Argentina e Estados Unidos, celebrado por Javier Milei e Donald Trump, expõe fragilidades históricas da política externa brasileira e coloca em xeque a relevância do Mercosul no cenário global.

Enquanto Buenos Aires avança para se tornar uma economia mais aberta, garantindo acesso preferencial para produtos norte-americanos — incluindo veículos, medicamentos, tecnologia e bens agrícolas — o Brasil permanece preso a negociações arrastadas e respostas tímidas.


Esse pacto não é apenas bilateral: é um movimento geopolítico que redesenha cadeias produtivas na América do Sul. A Argentina sinaliza disposição para flexibilizar tarifas e eliminar barreiras não tarifárias, abrindo espaço para padrões regulatórios dos EUA e fortalecendo sua posição como parceiro estratégico de Washington. Para o Brasil, isso significa perda de competitividade em setores cruciais, como automotivo e agroindustrial, que representam mais de 40% das exportações brasileiras para o mercado argentino.


O governo brasileiro, por sua vez, reage com preocupação, mas sem ação concreta. Autoridades falam em “avaliar impactos” e “buscar diálogo”, enquanto o país continua enfrentando sobretaxas de até 50% impostas pelos EUA sobre produtos nacionais. Essa postura passiva contrasta com a agilidade argentina, que não hesitou em usar sua margem de manobra dentro do Mercosul para garantir vantagens comerciais.

Mais grave ainda: o acordo EUA–Argentina expõe fissuras no bloco sul-americano. Ao conceder acesso preferencial a produtos americanos, Buenos Aires desafia a Tarifa Externa Comum e sinaliza que a coesão do Mercosul é secundária frente aos interesses nacionais. O Brasil, maior economia do bloco, deveria liderar uma resposta estratégica — seja pressionando por modernização das regras, seja acelerando negociações bilaterais com Washington. Em vez disso, assiste à erosão de sua influência regional.


Em um mundo de realinhamentos rápidos, a diplomacia brasileira parece refém de uma visão antiquada, que prioriza consensos lentos e ignora a urgência de garantir competitividade. O resultado? Risco de isolamento comercial, perda de mercados e enfraquecimento do Mercosul. O acordo EUA–Argentina não é apenas um alerta: é um chamado para que o Brasil abandone a inércia e adote uma política externa pragmática, capaz de proteger seus interesses em um cenário cada vez mais assimétrico.

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