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Pastor que deu “bênção” a Lula defende escola de samba rebaixada

  • Foto do escritor: Equipe Canal do Rio
    Equipe Canal do Rio
  • 21 de fev.
  • 2 min de leitura


O deputado federal e pastor pentecostal Otoni de Paula surpreendeu ao adotar um tom inesperado durante participação na Globo News. Convidado em meio à polêmica envolvendo declarações sobre samba e manifestações culturais populares, havia expectativa nos bastidores de que o parlamentar adotasse uma linha crítica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e às escolas de samba, especialmente por sua trajetória religiosa no meio pentecostal.


O que se viu, no entanto, foi o oposto.


Otoni saiu em defesa de Lula e da escola de Niteroi que trouxe para avenida o enredo "Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil". Otoni disse que no que diz respeito à valorização do samba como expressão cultural brasileira. Segundo ele, “não se pode demonizar a cultura popular por divergências ideológicas”. O deputado afirmou ainda que fé e cultura não são inimigas e que o Brasil é plural, composto por diferentes manifestações artísticas que merecem respeito, independentemente de convicções religiosas.


A declaração causou repercussão imediata nas redes sociais, sobretudo entre setores conservadores que esperavam uma crítica contundente ao governo tendo em vista a postura do deputado após o desfile.



Na declaração à Globo, Otoni também fez ponderações indiretas sobre o uso político da religião e, ignorando a sua própria trajetória política, disse que “a fé não pode ser instrumentalizada para fins eleitorais”.


Sem citar nomes diretamente, o parlamentar criticou práticas que, segundo ele, confundem púlpito com palanque e misturam convicções espirituais com estratégias partidárias. A declaração foi interpretada como uma crítica à família do ex-presidente Jair Bolsonaro, frequentemente associada ao discurso religioso no campo político.


Para analistas, o episódio reforça o equívoco na mudança de alinhamento do deputado em relação aos principais setores evangélicos e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao defender Lula — que, segundo críticos, já foi associado a pautas vistas como contrárias à família tradicional brasileira, modelo de organização social compartilhado não apenas por evangélicos, mas também por parte dos católicos no país — o parlamentar evidenciaria um possível isolamento político. Em 2022, ele optou por uma estratégia de aproximação com o líder do PT após a derrota da direita na última eleição.

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