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Dezenas de partidos existem no Irã, mas nenhum controla o poder político

  • Foto do escritor: Canal do Rio Vinicius
    Canal do Rio Vinicius
  • 22 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura


Apesar de frequentemente classificado como uma ditadura, o Irã não se encaixa no modelo tradicional de regimes de partido único. O país possui oficialmente centenas de partidos políticos registrados, mas nenhum deles exerce controle efetivo sobre o Estado. O poder real está concentrado em instituições religiosas e militares, acima do sistema partidário.


Segundo dados do Ministério do Interior do Irã, existem mais de 240 partidos e grupos políticos legalmente reconhecidos. No entanto, pesquisadores e organismos internacionais destacam que a maioria dessas siglas atua de forma limitada, muitas vezes apenas durante períodos eleitorais, funcionando mais como facções políticas do que como partidos estruturados nos moldes das democracias ocidentais. Essa avaliação é compartilhada por relatórios do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e por estudos do International Crisis Group.


O principal motivo para a ausência de um partido dominante é a própria natureza do regime iraniano. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o país é governado por uma teocracia, na qual a autoridade máxima não é um presidente ou um partido, mas o Líder Supremo. Atualmente, esse cargo concentra poderes decisivos sobre o Judiciário, as Forças Armadas, a Guarda Revolucionária e os principais meios de comunicação estatais, conforme descrito na Constituição da República Islâmica do Irã.


Outro elemento central é o Conselho dos Guardiães, órgão composto por clérigos e juristas alinhados ao Líder Supremo. Esse conselho tem a prerrogativa de vetar leis aprovadas pelo Parlamento e, sobretudo, de aprovar ou barrar candidaturas a cargos eletivos. De acordo com análises da Human Rights Watch e da Freedom House, esse mecanismo garante que apenas políticos considerados leais ao regime possam concorrer, esvaziando o papel dos partidos.


Na prática, a política iraniana se organiza em torno de blocos informais, como os chamados “conservadores” ou “principialistas”, que defendem a manutenção rígida do sistema islâmico, e os “reformistas”, que propõem mudanças graduais, mas sempre dentro dos limites impostos pelo regime. Mesmo quando reformistas alcançam vitórias eleitorais, como ocorreu em alguns períodos presidenciais e parlamentares, seu poder permanece condicionado às decisões das instâncias religiosas superiores.


Assim, embora o Irã possua um grande número de partidos no papel, especialistas concordam que eles não são o eixo central do poder político. Como resume o cientista político Ervand Abrahamian, professor da Universidade da Cidade de Nova York, o sistema iraniano é “plural na aparência, mas rigidamente controlado no topo”, onde a autoridade final está acima das siglas e das eleições.

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