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Associativismo: a engrenagem silenciosa que fomenta o crescimento do turismo nacional

Foto do escritor:     Alexandre Sampaio de Abreu
Alexandre Sampaio de Abreu
12 de mar.
4 min de leitura
    Alexandre Sampaio de Abreu é o presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), cargo que ocupa desde 2010
Alexandre Sampaio de Abreu é o presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), cargo que ocupa desde 2010

Nos últimos anos, o turismo brasileiro vem consolidando uma trajetória de expansão que poucos setores da economia conseguiram alcançar com tamanha consistência. A atividade não apenas recuperou as perdas impostas pela pandemia como ultrapassou, em diversos indicadores, os níveis registrados antes de 2020.


Estimativas recentes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que a alta temporada de 2025-2026 deverá movimentar cerca de R$ 218 bilhões, consolidando um dos melhores desempenhos da história do setor. Esse dinamismo não se limita ao faturamento. O turismo brasileiro já responde por mais de 3,5 milhões de empregos formais, distribuídos em atividades como hospedagem, alimentação fora do lar, transportes e entretenimento, além de milhares de postos de trabalho indiretos que se espalham por toda a cadeia produtiva.


Os números evidenciam uma realidade que a sociedade, o legislativo e o executivo brasileiros começam a perceber com maior nitidez: turismo não é apenas lazer ou deslocamento de pessoas. Trata-se de um setor estruturante, capaz de promover desenvolvimento regional, mobilidade social e inclusão produtiva em praticamente todos os municípios do país.


Nessa seara, ganha relevância um elemento muitas vezes invisível para o grande público, mas absolutamente decisivo para o avanço da atividade: o associativismo empresarial e a atuação das entidades de classe.


O turismo é, por natureza, um setor altamente fragmentado, reunindo desde grandes redes hoteleiras e operadores internacionais até pequenas pousadas familiares, restaurantes, agências de viagem, transportadoras turísticas e inúmeros prestadores de serviços que compõem a experiência do visitante.


Transformar essa diversidade em uma agenda comum exige organização institucional, capacidade técnica e interlocução permanente com o poder público. É exatamente nesse ponto que as entidades representativas, federações, confederações e sindicatos, assumem papel estratégico.


O exemplo mais emblemático dessa atuação foi a construção do PERSE – Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos, aprovado no contexto da pandemia. O programa tornou-se uma das políticas públicas mais relevantes já implementadas para a recuperação do turismo e da hospitalidade no Brasil. Seu desenho e aprovação foram fruto direto da articulação de entidades empresariais que souberam traduzir em linguagem técnica as necessidades do setor.


Situação semelhante ocorreu durante o debate da reforma tributária, quando a mobilização institucional garantiu o reconhecimento das especificidades da atividade turística e evitou distorções que poderiam comprometer a competitividade de empresas de hospedagem, alimentação e serviços turísticos. Esses avanços não são fruto do acaso. Eles refletem um trabalho contínuo de representação, estudo e diálogo institucional.


Mais recentemente, a discussão em torno da reorganização da jornada semanal, especialmente as propostas de alteração da escala de trabalho, trouxe novamente à tona a importância de uma abordagem responsável e técnica.


Entidades do setor produtivo, entre elas a CNC, subscreveram manifesto em defesa da manutenção do modelo constitucional que estabelece a jornada máxima de 44 horas semanais, com possibilidade de ajustes por meio de negociação coletiva.


A posição não decorre de resistência a avanços sociais, mas do reconhecimento de que setores como o turismo possuem características operacionais muito próprias. Hotéis, restaurantes, operadoras de turismo, parques temáticos e equipamentos turísticos funcionam sete dias por semana, muitas vezes 24 horas por dia, atendendo fluxos de visitantes que não obedecem a calendários convencionais. Por isso, a experiência internacional demonstra que soluções uniformes raramente funcionam para atividades intensivas em serviços. A negociação coletiva, realizada entre sindicatos patronais e laborais, permanece sendo o instrumento mais eficaz para equilibrar competitividade empresarial, geração de empregos e qualidade de vida do trabalhador.


Outro aspecto que reforça a importância do associativismo é a própria estrutura econômica do turismo. Diferentemente de setores industriais concentrados em determinados polos produtivos, a atividade turística se espalha pelo território nacional e impacta diretamente diverso segmentos econômicos diferentes, da agricultura ao transporte aéreo. Cada visitante que chega a um destino movimenta hotéis, bares, restaurantes, transportadoras, guias turísticos, comércio local e uma ampla cadeia de fornecedores. É por isso que o turismo costuma ser descrito como uma verdadeira economia em rede.


Coordenar interesses tão diversos exige instituições capazes de dialogar simultaneamente com governos, parlamentos, organismos internacionais e a sociedade civil. Nos últimos anos, iniciativas como o Vai Turismo – Rumo ao Futuro, projeto desenvolvido no âmbito da CNC, têm percorrido o país promovendo debates regionais, levantando propostas e consolidando uma agenda estratégica para o desenvolvimento do turismo brasileiro.


Iniciativas promovidas pela Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação, como o Encontro FBHA – Integração do Turismo Regional, vêm criando espaços de articulação entre empresários, gestores públicos e lideranças locais, fortalecendo a cooperação entre destinos e ampliando oportunidades de investimento. Esses, assim como tantos outros fóruns, não são apenas eventos institucionais. São ambientes de construção de políticas públicas, de disseminação de conhecimento e de fortalecimento da governança do setor.


Enquanto o turismo brasileiro bate recordes de faturamento, fluxo de visitantes e geração de empregos, muitos empreendedores ainda se perguntam qual será o próximo passo para consolidar esse crescimento. A resposta passa, inevitavelmente, pelo fortalecimento das estruturas de representação empresarial.


O associativismo não é apenas uma tradição do setor terciário brasileiro; é uma ferramenta essencial para transformar demandas dispersas em políticas públicas consistentes. É por meio dele que o turismo conquista espaço na agenda nacional, amplia sua capacidade de diálogo institucional e reafirma seu papel como um dos motores do desenvolvimento econômico e social do país.


Ao longo de minha trajetória profissional, militando no turismo, tenho testemunhado o poder transformador dessa atuação coletiva. Num setor que conecta pessoas, culturas e destinos, a união institucional continua sendo a força que transforma potencial em realidade econômica.


Alexandre Sampaio
Presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), diretor da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e coordenador do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da CNC

1 comentário


davidthom.a.s.282.55
02 de set.

du doan mb tối qua lúc nghỉ tay mình lướt thử một vòng cho biết, kiểu cũng hơi nghi ngờ mấy trang dạng này hay nói quá lên. Nhưng vào rồi thấy họ chia nội dung theo khối nhìn khá dễ theo, nhất là cái tiêu đề “Soi cầu MB ngày 3 9 2026” đặt ngay phần trên nên mình biết họ đang nói đúng ngày mình cần, khỏi phải mò. Mình không ngồi đọc kỹ hết, chỉ xem cách họ trình bày thống kê phân tích ngắn gọn thôi, đoạn nào cũng tách ý rõ nên đọc lướt vẫn hiểu. Menu chuyển mục cũng gọn, bấm qua lại không bị rối. Nói chung không làm mình khó chịu như…

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