BC liquida Master; presidente é preso e BRB tem comando afastado
- 18 de nov. de 2025
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O Banco Central (BC) decretou nesta terça-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Master, após constatar grave deterioração da situação econômico-financeira da instituição e descumprimento de normas regulatórias. A medida atinge todo o conglomerado controlado por Daniel Vorcaro, que foi preso preventivamente pela Polícia Federal na manhã de hoje, em Guarulhos, durante a Operação Compliance Zero.
Segundo o BC, o Banco Master S.A. deixa de operar imediatamente para a emissão de certificados de depósito, enquanto outra empresa do grupo, o Banco Master Múltiplo, ficará sob administração especial temporária por 120 dias. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada para conduzir o processo. A intervenção ocorre após tentativas frustradas de venda, incluindo uma proposta anunciada ontem pelo grupo Fictor Holding, que previa aporte de R$ 3 bilhões.
O conglomerado possuía R$ 86,4 bilhões em ativos e cerca de R$ 62,2 bilhões em depósitos elegíveis ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), tornando esta a maior liquidação já registrada no país, superando casos emblemáticos como Bamerindus e Nacional nos anos 1990.
A Polícia Federal também prendeu Vorcaro e outros executivos do Master por suspeita de crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. As investigações apontam para um esquema bilionário de emissão e negociação de títulos de crédito falsos, que pode chegar a R$ 12 bilhões. A operação cumpre sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em cinco estados e no Distrito Federal.
O caso também atingiu o Banco de Brasília (BRB), um banco estatal. A Justiça determinou o afastamento do presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, e do diretor financeiro por 60 dias, no âmbito da mesma investigação. Ambos são citados por participação nas tratativas para aquisição do Master, negócio vetado pelo BC em setembro por risco elevado. O BRB afirma que segue operando normalmente e reforça seu compromisso com as normas de compliance.
Com a liquidação, o FGC será acionado para ressarcir correntistas e investidores, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, até R$ 1 milhão a cada quatro anos. O processo pode levar até 30 dias úteis para liberação dos valores.







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