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Do "Mundo de Bonecos" à Revolução da IA: O futuro não será transmitido via Metaverso

  • Foto do escritor: Canal do Rio Vinicius
    Canal do Rio Vinicius
  • 1 de fev.
  • 2 min de leitura


No final de 2021, o mundo foi inundado por promessas de que, em poucos anos, estaríamos trabalhando, comprando e socializando em mundos digitais imersivos. Hoje, em 2026, o veredito é claro: o Metaverso, da forma como foi vendido, não passou de um "Second Life" com gráficos infantis e hardware desconfortável. Enquanto bilhões de dólares evaporavam em avatares sem pernas, uma revolução silenciosa e muito mais visceral tomava conta: a Inteligência Artificial.


O que explica esse desvio de rota? A resposta não está apenas na qualidade dos processadores, mas na própria natureza do progresso humano e na nossa resistência ao moralismo corporativo.


O Abismo da Utilidade e a Estética Infantil

O primeiro grande erro do Metaverso foi a tentativa de "infantilizar" a experiência tecnológica. Ao tentar criar um ambiente "seguro e amigável", empresas como a Meta entregaram uma estética de desenho animado que alienou o público adulto. Reunir-se em uma sala virtual para uma videoconferência exige um esforço logístico — colocar visores pesados, isolar-se do ambiente físico — que não compensa o benefício. O mercado provou que a eficiência do "clique e entre" do Zoom ou Teams é imbatível frente à simulação lúdica de uma realidade virtual.



A Tecnologia como Motor de Mudança Social

Historicamente, o mundo não muda apenas por causa de novas ideias, mas por causa das máquinas que as transportam. A Revolução Francesa dependeu da prensa; os anos 60 foram moldados pela popularização da TV. O fator tecnológico é o que deságua em mudanças sociais reais.


Diferente do Metaverso, que tentava criar um "feudo digital" onde a plataforma dita as regras, a IA surgiu como uma ferramenta de empoderamento individual. Quando sistemas como o Grok ou modelos de código aberto permitem o debate instantâneo e a verificação de fatos (como as Notas da Comunidade no X), o monopólio da narrativa sai das mãos de curadores e volta para o usuário.


O Novo Moralismo e a "Censura de Estimação"

Um dos pontos mais polêmicos dessa transição é o surgimento de um moralismo seletivo. Observamos hoje figuras que defendiam a liberdade nos anos 80 agindo como novos censores, exigindo que a IA seja "travada" por filtros de segurança que tratam adultos como crianças.


O debate atual gira em torno da autonomia: deve a tecnologia impedir a criação de conteúdos viscerais, pesados ou controversos em nome de uma suposta proteção social? Ou deve a responsabilidade ser devolvida aos indivíduos e aos pais, como sempre foi nas artes clássicas e no cinema?


O Triunfo do Descentralizado

A grande lição de 2025/2026 é que a tecnologia vence quando se torna "invisível" e útil. O declínio do Metaverso corporativo e a ascensão das IAs robustas mostram que o público prefere uma "bússola de verdade" a um "parque de diversões".


O futuro da internet não parece ser um mundo virtual isolado, mas uma camada de inteligência sobreposta à nossa realidade. Se o capitalismo e a inovação tecnológica ensinam algo, é que o Estado ou as grandes corporações não podem deter o monopólio do desenvolvimento. A liberdade, ao que tudo indica, continuará sendo um subproduto de máquinas que se tornam poderosas demais para serem censuradas.

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