JBS e Banco Master despejam milhões em empresa de fachada ligada a filho de ministro do STF
- Equipe Canal do Rio

- 19 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 25 de mar.

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificou movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo o Banco Master, a JBS e uma empresa de consultoria com vínculos contratuais com o filho do ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal.
De acordo com o documento de inteligência financeira, a consultoria recebeu aproximadamente R$ 18 milhões em repasses — valor considerado incompatível com o faturamento declarado da empresa.
Fluxo de recursos e inconsistências
O relatório detalha que a JBS foi responsável por transferências que somam R$ 11,3 milhões, enquanto o Banco Master teria repassado cerca de R$ 6,6 milhões à mesma consultoria.
Dentro desse montante, o Coaf identificou pagamentos diretos ao filho do ministro que totalizam aproximadamente R$ 281,6 mil.
A discrepância entre os valores recebidos de grandes grupos econômicos e a receita formal da empresa levantou suspeitas de que a estrutura possa ter sido utilizada para movimentação irregular de recursos.
Conexões com outras investigações
O caso envolvendo o Banco Master se insere em um contexto mais amplo de apurações conduzidas pela Polícia Federal, que investigam possíveis irregularidades financeiras e relações entre agentes privados e integrantes do sistema de Justiça.
Relatórios também mencionam operações envolvendo pessoas ligadas ao ministro Dias Toffoli, além de contratos firmados com escritórios de advocacia associados a figuras públicas. Entre os nomes citados estão o ex-ministro Ricardo Lewandowski e a advogada Viviane Barci de Moraes, que teriam mantido relações contratuais com o banco.
Possíveis enquadramentos legais
Do ponto de vista jurídico, a diferença entre o faturamento declarado da consultoria — estimado em cerca de R$ 25,5 mil — e os repasses milionários configura um alerta típico para possíveis crimes como lavagem de dinheiro e ocultação de bens.
Caso seja comprovado que a empresa atuou apenas como intermediária para repasses a terceiros sem prestação efetiva de serviços, os envolvidos podem responder criminalmente.
Na esfera administrativa, eventuais indícios de que os pagamentos tiveram como objetivo influenciar decisões judiciais podem levar à aplicação da Lei de Improbidade Administrativa. Nesse cenário, o Ministério Público Federal (MPF) poderá solicitar a quebra de sigilos bancário e fiscal para rastrear o destino dos recursos.





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