Pressão por CPI do Banco Master amplia crise no Centrão e aumenta desgaste com flagra de suplente de Alcolumbre
- Equipe Canal do Rio

- 12 de mar.
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Atualizado: 12 de mar.

A crise política em torno do caso envolvendo o Banco Master ganhou novos capítulos no Senado Federal e passou a ampliar o desgaste do presidente da Casa, Davi Alcolumbre. A situação se agravou após um senador do PT pedir a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades relacionadas à instituição financeira, aumentando a pressão política sobre a presidência do Senado.
O movimento ocorre em meio a um cenário já marcado por tensões entre governistas, centrão e parlamentares da direita. Nos bastidores, a disputa se intensificou após uma tentativa de aliados do governo de anular a quebra de sigilo de Luís Cláudio Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, decisão que teria aprofundado a crise política envolvendo Alcolumbre e setores do Congresso.
Pressão política e articulações
A solicitação de abertura da CPI elevou o nível da disputa dentro do Senado, com diferentes grupos políticos pressionando a presidência da Casa sobre a condução das investigações e sobre a tramitação de requerimentos sensíveis ao governo.
Em meio ao avanço das tensões, surgiram também relatos de possíveis articulações entre o Palácio do Planalto e lideranças do Centrão para tentar administrar a crise. Questionado sobre uma eventual reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do tema, Alcolumbre afirmou não ter conhecimento de qualquer encontro relacionado ao assunto.
Investigação e novos elementos
O ambiente político ficou ainda mais sensível após a divulgação de informações de que a Polícia Federal teria flagrado um suplente ligado a Alcolumbre sacando cerca de R$ 350 mil em dinheiro vivo. O episódio passou a ser citado por parlamentares como um elemento adicional de pressão sobre o presidente do Senado, em meio ao debate sobre a necessidade de investigações mais amplas.
A combinação entre o pedido de CPI do Master, as disputas do PT a favor da blindagem de Lulinha na CPMI do INSS e as suspeitas levantadas nos bastidores sobre envolvimento de ministros do STF com o banqueiro preso tem ampliado o clima de instabilidade política em Brasília.
Delação de Vorcaro
O risco de uma eventual delação do dono do banco tende a afetar principalmente o Centrão e o PT. Ainda assim, o partido enxerga na CPI do Master uma forma de desviar a atenção dos eleitores da CPMI do INSS e, ao mesmo tempo, pressionar lideranças centristas a buscar abrigo político.
Caso Daniel Vorcaro permaneça preso, os possíveis danos colaterais de uma delação para o Centrão ainda são considerados imprevisíveis. Para o PT, há também o cálculo político de que a direita poderá formar uma bancada relevante no Senado a partir de 2026, o que deixaria os votos dos senadores do Centrão como peças-chave a serem disputadas — seja por meio de aproximação política ou por alianças, caso Lula consiga a reeleição.
Aprovação de Jorge Messias
Além da disputa por eleitores, há também, nos bastidores, uma corrida contra o tempo envolvendo a possível indicação de um aliado de Lula na Advocacia-Geral da União (AGU) para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. A aprovação do advogado Jorge Messias no Senado — apelidado de “Bessias” após o áudio vazado durante a Operação Lava Jato, em 2016 — é vista por aliados do governo como fundamental para a manutenção de uma maioria de ministros indicados por Lula na Corte.
No entanto, a eventual indicação de Messias contraria interesses do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que teria preferência pela indicação do ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Pacheco chegou a ser cogitado para o STF em 2025, para a vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso da presidência da Corte, recebendo apoio de ministros como Gilmar Mendes. Ainda assim, acabou sendo preterido pelo presidente Lula, que optou por Jorge Messias.
O caso segue em desenvolvimento e pode influenciar diretamente o equilíbrio de forças dentro do Senado para 2027;





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